Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

'Brinde? Mas ó Pai isto trazia um brinde aqui dentro? Qual? E uma fava? Mas para que servia a fava?'.
Não é bem a 'idade dos porquês', mas é quase. É só uma questãozita levantada pelo mais novo dos meus rapazes e, que na verdade, nunca foi grande amante de bolo-rei, mas como nunca é tarde para se começar a gostar (e o inverso também é verdadeiro) entre duas dentadas numa fatia, acabei por meter com ele: 'Vê lá não engulas o brinde ou a fava...'

Antes que ele pensasse que poderia engolir uma Playstation disfarçada de figo cristalizado e ainda pudesse aumentar a estatística de criancinhas que engolem brindes, apressei-me a explicar que isso 'era dantes'. Antes da castrante normalização europeia.
E o brinde era apenas uma tradição por se tratar de um bolo de Natal e, não, não era uma 'coisa' grande: vinha embrulhado muitas vezes em papel de seda ('que é isso?'...) e tanto podia ser uma peça muito pequena em metal, como podia ser um brinde especial colocado a pedido se se mandasse um fazer um bolo-rei numa pastelaria, como a meia-libra ('que é isso?'...) em ouro.
Já a fava tinha o condão de transformar em futuro pagador do próximo bolo-rei aquele que tivesse a pouca sorte de lhe sair a dita numa fatiazinha. 'Então e se eu não tivesse dinheiro para comprar o bolo-rei?' ; 'Azar teu. Tradição é tradição...'

E lá rematei a conversa dizendo que, hoje em dia, o bolo-rei já não traz nem um nem outro apêndice incorporado na massa, porque uns senhores muito 'Hugo Boss' ('ah... esse eu sei!') numa cidade da europa que tem o nome de umas couves que tu gostas muito (.'..Bruxelas?...') decidiram há poucos anos e, depois de exaustiva pesquisa... que os brindes e as favas poderiam constituir uma ameaça mortal para as crianças.
'Ah...pronto. Mas era mais giro com brinde.'

Pois. Eu também acho. Mas tal como nos primeiros anos da República, tudo o que cheirasse a tradição, era imediatamente conotado com a Monarquia. O bolo-rei, também nessa altura passou pela fase de ser rotulado como 'bolo-república', 'bolo-presidente' ou simplesmente e envergonhado 'bolo-r'.
De facto, muitas receitas deste bolo existem por aí: umas muito boas outras muito más, infelizmente as segundas proliferam mais amiúde que as primeiras. Bento Maia (parece um trocadilho comigo mas não é) de seu verdadeiro nome Carlos Bandeira de Melo, explica e bem como realmente se deve fazer um t-r-a-d-i-c-i-o-n-a-l bolo-rei no livro que editou em 1904: "Tratado de cozinha e de copa". E sim, inclui brinde e fava.

Mas será, hoje em dia, conveniente que assim não se proceda ou lá estará a organização de combate ao 'crime pasteleiro organizado': os senhores ASAE. E, por voltar a falar neles, noto, que os comentários e artigos de opinião se vão avolumando no blogoesfera no que toca à actuação desmedida que esta entidade tem vindo a tomar em situações que ultrapassam em muito o conceito 'defesa do consumidor'. Um desses 'post' está escrito por um jornalista que prezo, Rui Vasco Neto, no seu blog 'setevidascomoosgatos', com o título 'o sabonete ASAE' e, que me acabou por levar a conhecer algo que foi uma surpresa: um cd com composições deste jornalista.



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publicado por LMB às 17:58 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De A Vilhena a 27 de Novembro de 2007 às 01:29
Ainda se lembram de quando, muito preocupada com o nosso bem estar e a nossa boa forma física, a Dinamarca propôs a pasteurização das massas queijeiras?
Santa ingenuidade (http://cafe-portugal.blogspot.com/2007/11/asae-parte-2-ou-os-sonhadores-os.html)...até faz mal!!!


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