Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
Nem faço a mais pálida ideia se essa publicação ainda se encontra nas bancas. Mas, se por acaso, já se foi, há substitutos à altura, não impressos mas televisionados. Chego até a ter 'pena' do R.Guedes de Carvalho no papel de pivot de noticiário que se quer à viva força que se torne notícia aquilo que nunca terá sido talhado para se dar grande atenção. Não é, obviamente, exclusivo da SIC, é dos outros dois canais também.
Mas hoje, enquanto passarinhava da ala este para a ala oeste aqui de casa, não pude deixar de reparar na sábia resposta de um alentejano a quem o repórter, numa ingrata e tonta missão, perguntava a esse cidadão "se estava calor e se o incomodava". Se não foi assim exactamente, a essência foi esta. Ao que o homem lhe responde: "Nãã. 30 graus né? A gente aqui está habituado a 40, 40 e tais". Estava à espera de quê, o jornalista?
Portanto, notícia em prime time, foi justamente os 'tórridos' 28 graus em Lisboa e os 35 em Beja. E continua a reportagem, na mesma onda de calor, à espera que alguém anuísse à ideia de confrmar 'que sim! está m_e_s_m_o muito calor!', como se este rectângulo luso fosse atravessado por monções ou correntes frias do estreito de Bering, de modo a justificar a caloraça mui estranha em pleno Verão.

Repetentes neste tipo de peças sem justificação, os noticiários das 20h saltitam entre 5 minutos de algo interessante e 70 de mais-valia-estarem-quietos. Salva-se, felizmente, o das 22h na RTP2, que consegue em trinta minutos falar de tudo o que realmente é importante.

Curiosamente, se as peças gágá sobre o calor normal se repetem, não vejo nem oiço nenhum deles dar, por exemplo, a mesma importância ao estado das praias (não me refiro à 'certificação' de bandeira azul) mormente ao estado em que no início do estio, os veraneantes encontram as areias: as beatas enterradas, as garrafinhas de iogurte, as latinhas ou os cacos das garrafas de cervejinha, o pacotinho de batata frita que a criancinha e os paizinhos permitiram que esvoaçasse pelo areal e ali fique, entre outros detritos.
A praia do Creiro, aqui ao lado na Arrábida, é um bom-mau exemplo disso, mais um ano. Uma praia de bilhete-postal, não deve certamente merecer a atenção da Câmara M. de Setúbal e do Parque Natural da Arrábida e muito menos dos Media. Está lá um 'garboso' painel de letras caídas que anuncia os milhares de Euros comparticipados pela UE; está lá um recanto com bancos de madeira tomados pelas silvas que dá pelo nome de 'Fonte da Paciência' que faz juz ao nome: paciência, não há água há dois anos. Está também ladeada em generosa extensão de cercado em nini barrotes de madeira que já foram verdes e já estiveram de pé. Fazem de barreira ao lixo acumulado de anos de gente sem escrúpulos. Nem os dois restaurantes existentes têm, sequer, brio na zona mais próxima que os circunda.

Na foto lá em cima, está um cinzeiro de praia. Exemplar único (meu) de uma acção da Câmara M. de Almada na Praia do Rei, há 4 anos. Não sei se voltaram a aparecer; eu pelo menos, nunca mais os vi. Sei que nesse ano de 2004. essa boa intenção durou o limitado stock que provavelmente a Câmara dispunha, o que traduzido em dias, não chegou a 8. Eram à borla, estavam estratégicamente colocados na entrada da praia logo a seguir à linha do 'Transpraia'. É provável que esta e até outras melhores acções de outras autarquias por esse país fora da zona litoral, existam.
O que está aqui em causa, é que talvez os noticiários, chatos, enormes, das 20h., fizessem melhor, no seu alinhamento, incluir algumas peças (duras e assertivas) tendentes à sensibilização das pessoas para a nojeira em que estão transformadas algumas praias (e matas) em vez de procurarem fazer notícia sobre o que o não é, em diálogos de lana caprina, quiçá inferiores ao primeiro trabalho de qualquer estudante do primeiro ano de Comunicação Social.


publicado por LMB às 22:25 | link do post | favorito

Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



mais sobre mim
Março 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
13

15
16

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


posts recentes

Books Invoicing

a propósito: o universo c...

limpar portugal

lx: debaixo dos pés

é a vida

pangea ultima

PECa

memória: peggy lee

iSilly

'like angels'

arquivos

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Agosto 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Janeiro 2006

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Abril 2005

Setembro 2004

Abril 2004

tags

37/2007

500 miles

7 maravilhas

abril

agostinho da silva

água

alentejo

algarve

allsopp

amazon

american

amero

amigos

anatomia

anos 60

apollo

apollonius

apple

apple. mac

applestore

apr

arrábida

arrabida

art building

arte

artsoft

astarte

atlântida

att

auschwitz

auto

azeitão

bacalhau

bairro alto

banco

bento

berenice abbott

biblia

bic

bijagós

bizplan

boi

casa portuguesa

computing

cosmos

creiro

cromos

cupertino

dakar

design

dias da radio

do fundo do baú

erp

europa

fiat

fred astaire

gene kelly

gourmet

hansaworld

história

ido mas não esquecido

igreja

iphone

ipod

jazz

lisboa

mac

mac os x

macworld

mafra

marketing

marte

memoria

merchandising

microsoft

mirror world

modelo

motor

mundo

natal

new york

nova iorque

outono

pavarotti

porto

portugal

renovaveis

rodrigo leão

rtp

russia

service

setubal

sic

star tracking

tejo

titanic

trizle

universo

verão

vida

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds