Sexta-feira, 16 de Março de 2007

É interessante observar como algumas empresas conseguem fazer dos RH um loop constante, mas mais refinado ainda, quando esse ciclo roller coaster (hoje deu-me para estes estrangeirismos) do tipo bestial-a besta-bestial passa por repescar ex-colaboradores onde já tinham literalmente deixado de pisar o chão que teria dado uvas, há alguns anos.

Embora, por vezes, estas re-entradas sejam sol de pouca dura, aparentemente, deixa transparecer que deverá ser dificíl arranjar substitutos -ou não- que percebam do negócio ou de uma determinada área do dito.
Não que estas readmissões me façam qualquer confusão, até porque, como diz um empresário da nossa praça, as "carreiras são feitas em zig-zag". Mesmo que o "zig" seja feito durante uns anos na própria empresa e o "zag" feito no exterior em qualquer outra empresa concorrente ou não. Se bem que o tal "zig-zag" a que ele se refere, obviamente, é dentro da própria companhia ou do grupo que eventualmente integre. Mas pronto, c'est la vie.

Mas o que me faz realmente confusão, é que essas mesmas pessoas reconvidadas, encontrem de novo velhos colegas, que escolheram não ziguezaguear, e optem (as reconvidadas) por tomadas de posição género "bicos de pés e dedo no ar" para que se tornem notadas, atropelando amizades que antes do "zig-zag" eram sólidas e fomentando a clássica dança de cadeiras, que é como quem diz: de poder.
Quase sempre, quando este tipo de regresso acontece, existe também associada a ideia nestes "retornados" que eles é que sabem e agora é que vai ser. Como se existisse passe de mágica. É, de igual modo, uma outra forma de se mostrarem como "iluminados" que aterraram numa empresa de míopes envolvidos em penumbra.
Note-se, porém, que estes regressos se efectuam também, na fase boa da empresa. Claro. Num ciclo menos bom, o melhor é passar ao largo e se for despercebido, tanto melhor.
Fase boa essa, que por vezes não passa pelo mérito de gestão mas sim por uma alta do mercado e da procura de determinado produto, mesmo em contra ciclo, que possibilita um fulgor e, em paralelo, um dolce fare niente.

Míope será, certamente, o gestor que pactue com esta atitude, não entendendo que poderá muito bem ter uma senha que diga "next" sem que ela ainda lhe tenha sido entregue no guichet.

A "mijinha" de demarcação de território -qual fera- também faz parte do clássico destes casos; "mijinha" aqui, entenda-se pela criação de quintinhas ocupadas por colaboradores que, quiçá enfeitiçados, pela "iluminação" dada pela re-entrada de determinado elemento, se juntam para um pas-de-deux, em pontas e dedinho espetado no ar também, como se até aí nunca tivessem sido notados.
É, de facto, triste quando gestores, accionistas, ou seja lá quem estiver no topo das pirâmides hierárquicas, falando de modo conservador e não se identificando comigo uma vez que não defendo um modelo vertical, não perceba que uma empresa não é exactamente um lameiro ou talhão de terreno para plantação individual.
Nem tudo o que luz é ouro. Suponho.





publicado por LMB às 23:24 | link do post | comentar | favorito

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