Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

"Circular! Circular!"- dizia, protegido do sol matinal pelos seus Ray Ban verdinhos, o graduado da GNR enquanto baloiçava o indicador na minha direcção, embora eu estivesse de facto a circular, seria, portanto, para dar ênfase na rotunda. Atrás dele, saía mais um reboque com um carrito e outro já se preparava para içar um outro.
Pensava que este tipo de exclamações algo arrogantes tivessem acabado, mas não. Os velhos vícios são difíceis de vencer.

Dia de greve nacional da função pública, parques lotados, bermas cheias em praticamente 1Km bem medidos, mas 'este' seria o dia em que a operação-reboque seria, porventura, o mais rentável. Tê-lo-á sido, seguramente. Não comigo, mas avaliei no regresso ,o infortúnio de outros que talvez quisessem e tivessem -quiçá- de trabalhar e para isso utilizassem o serviço de 'reduzida pegada carbónica' da Fertagus. Estes, fora da greve, acabariam por 'encalhar' sucessivamente entre estações por culpa de outros "Pedimos desculpa senhores passageiros, mas encontramo-nos parados devido a sinalização e temos ainda o comboio Alfa pendular à nossa frente. Temos de aguentar." (sic) O 'temos de aguentar' foi a parte mais divertida do comunicado para a maioria dos passageiros na carruagem. Acabaria por significar grande atraso.

Mas antes disto, tive de estacionar. "Olhe! Não estacione aí! Estão 4 reboques lá em cima na entrada da estação. Os gajos hoje estão todos aí para levarem carros. Só encontra lugar junto à EN10. Faça marcha-atrás devagarinho quando eu arrancar com o autocarro, para eles não o toparem"; este foi o sábio conselho de um motorista da SulFertagus a quem ainda tive oportunidade de perguntar se as carreiras deles tinham sido reforçadas "Não. São as mesmas do horário", disse. Ah bom!...

Depois de ter sido 'expulso' do Parque 2, operado pela caricata 'Gisparque', porque não tendo 'passe' de parque os lugares em cima das placas de cimento estavam reservados para outros utilizadores: os chamados 'passageiros frequentes', tipo last minute.
Sem frequência e sem cartão de milhas, três comboios depois (não importou muito, porque nenhum saía a horas) e várias voltas ao redondel, acabei por parar junto ao local indicado pelo amigo motorista.
Como é sempre a subir, de manhã é óptimo esta maratona forçada. Claro que passei pela frenética actividade policial, indiferentes aos argumentos dos automobilistas, indiferentes à caótica hora-de-ponta-em-greve. Claro que se estivesse de chuva, nenhum lá estaria. Claro que nas desastrosas rotundas inventadas numa EN10 em obras, nenhum nunca lá está a menos que batam.
Na realidade, há que estar onde o dinheiro está.


publicado por LMB às 22:58 | link do post | comentar | favorito

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