Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Foi e será sempre a minha praia de eleição do Algarve: a meia praia. Conhecia-a deserta, já a vi assim-assim e não sei como a voltarei a ver.
Os índios, hoje, serão outros, não aqueles que Zeca Afonso cantava numa bela e encapotada balada, enquanto leccionava em Lagos.

Aldeia da Meia Praia
Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga
Da melhor que sei e faço

De Monte-Gordo vieram
Alguns por seu próprio pé
Um chegou de bicicleta
Outro foi de marcha a ré

Quando os teus olhos tropeçam
No voo de uma gaivota
Em vez de peixe vê peças de oiro
Caindo na lota


Quem aqui vier morar
Não traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana

Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te nudo
Chupam-te até ao tutano
Levam-te o couro cabeludo

Quem dera que a gente tenha
De Agostinho a valentia
Para alimentar a sanha
De enganar a burguesia

Adeus disse a Montegordo
Nada o prende ao mal passado
Mas nada o prende ao presente
Se só ele é o enganado
Oito mil horas contadas
Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro
Documento autenticado

Eram mulheres e crianças
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
quem diz o contrário é tolo

E se a má língua não cessa
Eu daqui vivo não saia
Pois nada apaga a nobreza
Dos índios da Meia-Praia

Foi sempre tua figura
Tubarão de mil aparas
Deixas tudo à dependura
Quando na presa reparas

Das eleições acabadas
Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto
Muitas obras embargadas

Mas não por vontade própria
Porque a luta continua
Pois é dele a sua história
E o povo saiu à rua

Mandadores de alta finança
Fazem tudo andar para trás
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz

Eram mulheres e crianças
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
Que diz o contrário é tolo


E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hão-de fugir aos berros
Inda a banda vai na estrada

Foi sempre a tua figura
Tubarão de mil aparas
Deixar tudo à dependura
Quando na presa reparas

Das eleições acabadas
Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto
Muitas obras embargadas

Quem vê na praia o turista
Para jogar na roleta
Vestir a casaca preta
Do malfrão ** capitalista

Mas não por vontade própria
Porque a luta continua
Pois é dele a sua história
E o povo saiu à rua

Mandadores de alta finança
Fazem tudo andar pra trás
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz

E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hão-de fugir aos berros
Inda a banda vai na estrada

Eram mulheres e crianças
Cada um c'o seu tijolo
"Isto aqui era uma orquestra"
Quem diz o contrário é tolo



publicado por LMB às 23:18 | link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
Março 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
13

15
16

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


posts recentes

Books Invoicing

a propósito: o universo c...

limpar portugal

lx: debaixo dos pés

é a vida

pangea ultima

PECa

memória: peggy lee

iSilly

'like angels'

arquivos

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Agosto 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Janeiro 2006

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Abril 2005

Setembro 2004

Abril 2004

tags

37/2007

500 miles

7 maravilhas

abril

agostinho da silva

água

alentejo

algarve

allsopp

amazon

american

amero

amigos

anatomia

anos 60

apollo

apollonius

apple

apple. mac

applestore

apr

arrábida

arrabida

art building

arte

artsoft

astarte

atlântida

att

auschwitz

auto

azeitão

bacalhau

bairro alto

banco

bento

berenice abbott

biblia

bic

bijagós

bizplan

boi

casa portuguesa

computing

cosmos

creiro

cromos

cupertino

dakar

design

dias da radio

do fundo do baú

erp

europa

fiat

fred astaire

gene kelly

gourmet

hansaworld

história

ido mas não esquecido

igreja

iphone

ipod

jazz

lisboa

mac

mac os x

macworld

mafra

marketing

marte

memoria

merchandising

microsoft

mirror world

modelo

motor

mundo

natal

new york

nova iorque

outono

pavarotti

porto

portugal

renovaveis

rodrigo leão

rtp

russia

service

setubal

sic

star tracking

tejo

titanic

trizle

universo

verão

vida

todas as tags

gestão para Mac
Image and video hosting by TinyPic
blogs SAPO
subscrever feeds