Sábado, 17.10.09

Hervé Vilard anunciava que 'Capri c'est fini', pois em verdade vos digo que a praia também. Dado o último mergulho em águas excepcionalmente cálidas e sem a irritante 'nortada', esta 'extended silly season' termina bem. Só tenho pena -como um amigo meu costuma dizer- que a praia não tenha relva em vez de areia. Et bien: venham as castanhas, a água-pé e a jeropiga (não necessariamente por esta ordem).



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Sábado, 22.08.09
"[...]A serra da Arrábida, de constituição calcária –integrada nos 10.800 hectares do Parque Natural da Arrábida, criado por decreto-lei de 28 de Julho de 1976 – atinge, no ponto mais alto, 500 metros. O valor científico e, apesar das agressões de que tem sido vítima, o estado de conservação da vegetação da serra – apontada como um dos elementos mais importantes do Parque Natural – levaram, em 1988, à inclusão da Arrábida na Rede Europeia de Reservas Biogenéticas, programa do Conselho da Europa, que visa a protec- ção dos elementos mais representativos da flora, fauna e zonas na- turais europeias (...) No que toca à fauna – mesmo que tenham desaparecido lobos, javalis e veados – a Arrábida ainda vai tendo texugos, doninhas, gatos bravos e raposas, tal como a águia de Bonelli, o bufo real, o peneireiro e a coruja das torres.[...]"

A citação vem de um documento da CMSetúbal. Sendo certo o desaparecimento de algumas espécies -como as três referenciadas no texto- e para além daquelas que ainda por aqui sobrevivem, há uma outra que não está em vias de extinção, antes, vai reforçando presença sem o mínimo de educação geração após geração: trata-se da lusa imbecilidade.
A estrada de acesso à praia do Creiro tem tanto de belo como de nojento. De belo, porque a obra é da Natureza, de nojento porque essa parte é de quem contribui para que o rótulo se aplique.
Precisaria de um slide show para mostrar cantos e recantos de imundície, da estrada até à água. Por isso fico-me apenas com estas aqui em cima que ilustram o resto do caminho. Se o placard no início da rampa de acesso à praia anuncia 'a época de fogos' e demais informação já sem grande conjugação, lá em baixo existe outro, pomposo, com o graveto gasto no aparente melhoramento do local, incluindo a estação arqueológica. A 'Fonte da Paciência' só tem nome: paciência. Que me recorde, deixou de ter água vai para cinco anos; o contador é disso ilustração viva. O mato tomou conta da 'fonte', dos bancos de madeira e, em breve, de toda a escadaria. Para lá das cercas de madeira, está mato alto e lixo (de fraldas, a garrafas de plástico, vidro, maços de tabaco amarrotados e sacos, saquinhos e sacões de plástico), para cá das cercas, o cenário não muda, porque conduz directamente ao primeiro dos 2 restaurantes da praia: 'Anicha' e 'Golfinho' respectivamente. Qualquer canteiro do primeiro restaurante só tem disso o nome, porque na prática, poder-se-á considerar um alongado caixote de lixo e essencialmente mega-cinzeiro. O restaurante/bar/esplanada abre todos os dias, será que absolutamente ninguém daquele estabelecimento notará o amontoado de trampa (para ser simpático) mesmo debaixo dos narizes? Notarão seguramente, mas pensarão: 'isto não é comigo. Alguém que limpe'. E este é o mote para o resto: rampa acima, rampa abaixo. Muitos, infelizmente e a avaliar pelo grau a que se chegou, deverão por certo 'pensar' da mesma imbecil maneira. O homem é também um animalzinho de hábitos, de maus hábitos em variados casos, este incluído.
Para além de quem tem o hábito de amandar a garrafinha de água, cervejola ou qualquer outro lixo para onde calha, parece-me haver aqui também duas entidades públicas (se mais houver, cheguem-se à frente) responsáveis por a) manutenção ; b) vigilância. Se as coimas existem, não devem ter tido estreia. Se é a CMSetúbal se o Parque Natural da Arrábida/ICN quem deve dar o exemplo maior, nem quero nem saber. Entendam-se porque seguramente ambas não estarão isentas de quota parte neste processo, mas não estranhem se ouvirem comentar 'ah! se isto estivesse nas mãos dos espanhóis...'. É a dura realidade. Não se passaria assim, como de resto se constata seja em Cádiz ou nos Picos de Europa.



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Sexta-feira, 29.05.09

Eu e o calor somos incompatíveis. Algo tipo Peixes-Gémeos, astrologicamente escrevendo. Terei seguramente ascendente salmão para só me dar bem no frio.
Ontem, hoje e por este fim de semana fora, esta caloraça afogueante com laivos de magrebe tem-me deixado, justamente, como salmão na grelha.
Dir-me-ão 'se vivesses em Mogadouro é que havias de ver como elas estalam'. É um facto; acho que teria de trazer comigo um daqueles chapéus de ventoínha direccionada, tipo Prof. Pardal.
Vale-me a situação privilegiada de ter a 'minha praia' mesmo à mão de semear: o Creiro. É quase certo que este fim de semana estará impraticável, mesmo para 'atletas de ocasião' que não têm, primeiro, problema em descer a pé 700 ou 1.000 metros acentuados e, segundo, não dão parte-de-fraco no esforço do regresso, embora os bofes estejam já no vermelho. Não é para mim. Por isso, tenho de andar desencontrado ou em mês ou em horas, se quero um lugarzito de estacionamento controlado de modo a reduzir a distância entre o bafo quente e a água fria (ou gelada) lá em baixo. Às 7h da tarde fica tudo pacífico mas a água não aquece por isso, sublinhe-se.
Tudo isto porque ainda não me entregaram este aqui. Sou um tipo de gostos simples, não há nada a fazer.


publicado por LMB às 18:03 | link do post | comentar | favorito

Terça-feira, 08.07.08


Video thumbnail. Click to play
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Estes dois videos aqui em cima aterraram na minha mailbox vindos sei lá eu de onde, como tantos outros que por ali passam a caminho do certeiro cesto de lixo. Porém, o nome que embrulhava o video cibernético, travou o envio fatal: 'Lapa Santa Margarida_Arrabida'

Na verdade, revelar-se-iam dois, em vez de um só. Não sei quem os fez, nem tão pouco reconheço o endereço de envio, por isso e caso o autor por aqui passe, só tem de bater à porta e dizer: 'é meu.'
Então vamos lá explicar um bocadinho disto aqui em cima, já que ambos os locais se situam quase aqui ao lado.

À Lapa de Santa Margarida da Arrábida, e à sua congénere Gruta da Figueira Brava, chega-se melhor de barco. Ora, como todos aqueles que conheço ou não têm gasolina ou estão penhorados pelo fisco, revelou-se sempre difícil conciliar uma boleia marítima com a minha disponibilidade. Portanto nunca lá pus os calcantes, mas sei onde ficam.
Sei eu e sabia também Alexandre Herculano: [...]"abre-se em dois arcos na rocha, um que dá sobre o mar, outro que dá para fragas. Entra-se pelo que dá sobre o mar, até onde vos puder internar o vosso barquinho, como fazem os pescadores do Cabo quando vão ouvir missa ou levar oferenda à Santa da Lapa. De repente arqueia-se sobre vós a gruta silenciosa, cheia de uma frescura e de uma suavidade inalteráveis, sepultada num silêncio religioso que o roçar das ondas parece não interromper.[...]"

No sopé da serra da Arrábida voltada a sul e entre o Portinho e a praia de Alpertuche e, dizem os especialistas, em arribas escavadas pelo mar no Plistocénico e resultantes da última glaciação, encontra-se a gruta, descoberta não se sabe bem quando ou por quem. Sabe-se sim que, Herculano, quando a visitou ficou pasmado pela transparência das gigantes colunas, a que se chama estalagmites "onde três homens não conseguem abraçar". Uma vez mais, entendidos na matéria, dizem que sob o ponto de vista espeleológico, trata-se de uma cavidade Cársica.
Na Lapa de Santa Margarida, encontra-se no interior a pequena capela, que teria tido três imagens de santos à altura da devoção das gentes da zona. Conta-se também que o último ermitão de guarda ao local terá tido mesada a cargo dos Duques de Aveiro (outros vizinhos aqui), portanto já lá vai algum tempo.

Estamos conversados sobre a gruta. Passemos à ermida: são 7 em toda a serra e pertença do 'Convento Novo' (séc. XV-XVI) que ainda lá está, felizmente bem conservado pela Fundação Oriente que o comprou à Casa Palmela há uns anos.
Uma dessas ermidas, oferecida pelo Duque de Aveiro em 1605, ao frade poeta Frei Agostinho da Cruz, serviria a este último de espartana residência contemplativa. Seria, em 1940, restaurada por ordem da Duquesa de Palmela.
Duvido poder ser que se desfaça
Com água clara, e branda a pedra dura
Com quem assim se beija, assim se abraça.

Mas ouço queixar dentro a Lapa escura,
Roídas as entranhas aparecem
Daquela rouca voz, que lá murmura.

Na que está no filme, a cela 7, e outro local de devoção, tem a imagem de Cristo Senhor dos Aflitos, do final do séc.XVII em tamanho natural e oferecida ao convento por D.João V.

A Arrábida é um inesgotável tema. Grutas, galerias, floresta, quintas e palácios, mar e terra. A voltar um destes dias, por aqui.


publicado por LMB às 22:37 | link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 25.06.08
Nem faço a mais pálida ideia se essa publicação ainda se encontra nas bancas. Mas, se por acaso, já se foi, há substitutos à altura, não impressos mas televisionados. Chego até a ter 'pena' do R.Guedes de Carvalho no papel de pivot de noticiário que se quer à viva força que se torne notícia aquilo que nunca terá sido talhado para se dar grande atenção. Não é, obviamente, exclusivo da SIC, é dos outros dois canais também.
Mas hoje, enquanto passarinhava da ala este para a ala oeste aqui de casa, não pude deixar de reparar na sábia resposta de um alentejano a quem o repórter, numa ingrata e tonta missão, perguntava a esse cidadão "se estava calor e se o incomodava". Se não foi assim exactamente, a essência foi esta. Ao que o homem lhe responde: "Nãã. 30 graus né? A gente aqui está habituado a 40, 40 e tais". Estava à espera de quê, o jornalista?
Portanto, notícia em prime time, foi justamente os 'tórridos' 28 graus em Lisboa e os 35 em Beja. E continua a reportagem, na mesma onda de calor, à espera que alguém anuísse à ideia de confrmar 'que sim! está m_e_s_m_o muito calor!', como se este rectângulo luso fosse atravessado por monções ou correntes frias do estreito de Bering, de modo a justificar a caloraça mui estranha em pleno Verão.

Repetentes neste tipo de peças sem justificação, os noticiários das 20h saltitam entre 5 minutos de algo interessante e 70 de mais-valia-estarem-quietos. Salva-se, felizmente, o das 22h na RTP2, que consegue em trinta minutos falar de tudo o que realmente é importante.

Curiosamente, se as peças gágá sobre o calor normal se repetem, não vejo nem oiço nenhum deles dar, por exemplo, a mesma importância ao estado das praias (não me refiro à 'certificação' de bandeira azul) mormente ao estado em que no início do estio, os veraneantes encontram as areias: as beatas enterradas, as garrafinhas de iogurte, as latinhas ou os cacos das garrafas de cervejinha, o pacotinho de batata frita que a criancinha e os paizinhos permitiram que esvoaçasse pelo areal e ali fique, entre outros detritos.
A praia do Creiro, aqui ao lado na Arrábida, é um bom-mau exemplo disso, mais um ano. Uma praia de bilhete-postal, não deve certamente merecer a atenção da Câmara M. de Setúbal e do Parque Natural da Arrábida e muito menos dos Media. Está lá um 'garboso' painel de letras caídas que anuncia os milhares de Euros comparticipados pela UE; está lá um recanto com bancos de madeira tomados pelas silvas que dá pelo nome de 'Fonte da Paciência' que faz juz ao nome: paciência, não há água há dois anos. Está também ladeada em generosa extensão de cercado em nini barrotes de madeira que já foram verdes e já estiveram de pé. Fazem de barreira ao lixo acumulado de anos de gente sem escrúpulos. Nem os dois restaurantes existentes têm, sequer, brio na zona mais próxima que os circunda.

Na foto lá em cima, está um cinzeiro de praia. Exemplar único (meu) de uma acção da Câmara M. de Almada na Praia do Rei, há 4 anos. Não sei se voltaram a aparecer; eu pelo menos, nunca mais os vi. Sei que nesse ano de 2004. essa boa intenção durou o limitado stock que provavelmente a Câmara dispunha, o que traduzido em dias, não chegou a 8. Eram à borla, estavam estratégicamente colocados na entrada da praia logo a seguir à linha do 'Transpraia'. É provável que esta e até outras melhores acções de outras autarquias por esse país fora da zona litoral, existam.
O que está aqui em causa, é que talvez os noticiários, chatos, enormes, das 20h., fizessem melhor, no seu alinhamento, incluir algumas peças (duras e assertivas) tendentes à sensibilização das pessoas para a nojeira em que estão transformadas algumas praias (e matas) em vez de procurarem fazer notícia sobre o que o não é, em diálogos de lana caprina, quiçá inferiores ao primeiro trabalho de qualquer estudante do primeiro ano de Comunicação Social.


publicado por LMB às 22:25 | link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 22.08.07


Há locais onde tomar um café pode simultaneamente constituir uma aula-viva sobre a arte de trabalhar a pedra ou o barro. Um desses locais é justamente o Fortuna Artes & Ofícios, na Quinta do Anjo, junto a Palmela e ainda mais pegado à Serra de S. Luís, 'paredes-meias' com a Arrábida.
Não é somente o belíssimo espaço multifuncional, é antes de mais a simpatia e a disponibilidade que existe por lá em explicar processos de fabrico, estórias e a arte de muitos artistas que estagiam nos ateliers do Centro.
E claro, há uma simpática cafetaria de onde não apetece saír da sua esplanada, a menos que seja para dar um mergulho nas águas frias do Creiro.


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