Domingo, 30 de Novembro de 2008

Em uma Tarde de Outono

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...

in Poesias- Olavo Brás Bilac

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Ou como a SAP engole um SAPo.
$100M, isto é que é um valor simpático. Agora, se funciona ou não, isso é outra coisa.

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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008
CASAS E ALOJAMENTOS

"[...]A habitação lisboeta é por muitos considerada suja, além de ser mal construída e incómoda. O piolhos, as pulgas e outros insectos de toda a espécie tornam os dias insuportáveis, sendo certo que a ligeireza do tecto e das paredes não põem os habitantes ao abrigo do rigor do Inverno e dos ventos do norte. (...) No palácio de Palhavã o mais notado foi a completa ausência de espelhos, de quadros, de doirados ou de qualquer decoração além dos pesados panejamentos. 'Bastava a vista destas mesas assim vestidas para nos fazer transpirar e não sou capaz de atinar com o demónio que tentou os Portugueses a inventar tão bolorenta moda, odiosa em toda a parte, mas particularmente em clima tão sufocante como este. Em Queluz não escapou nenhuma mesa de jogo, nem de jantar, e em muitos casos recorreu-se a velhos trajes de corte, é essa a minha convicção, para se fazerem tais atavios '', - William Beckford.

(...) Quanto aos novos edifícios construídos depois do terramoto, eram tão unidos e tão semelhantes que no conjunto pareciam um só palácio. As ruas que os separavam, bastante largas e direitas, tinham dísticos de mármore e todas as casas eram providas de cómodos e altos andares (alguns chegavam a oito) 'Têm todos vidraças e, em certos pavimentos, varandas, onde as mulheres passam o tempo a ver quem passa. Em algumas ruas secundárias, onde residem os pobres, vêem-se muitas janelas com vidros quebrados, os quais não raras vezes ficam assim eternamente. As belas grades de ferro que cercam as sacadas servem para pendurar a roupa branca de toda a família.'

(...) no interior das casas, a iluminação fazia-se ainda à luz das velas e mesmo, como no palácio da Ajuda, mediante grande número de tochas de cera, metidas dentro de lanternas. Enquanto isso, já a burguesia inglesa residente na capital dispunha de potentes candeeiros a gás que trouxera de Inglaterra. (...)

(...) As nossas estalagens causavam péssima impressão a todo o viajante nacional ou estrangeiro, entre outras razões por serem insuportavelmente sujas e cheias de bicharia. Procurá-las era verdadeiro suicídio, referia em 1752 o Abade de Montgon (...) [Carl Israel]Ruders, no princípio do século XIX refere-se-lhes [às estalagens de Mafra] como
'possuidoras de aposentos pequenos e miseráveis chiqueiros [onde] não havia nem boa comida, nem boas camas' a tal ponto que passou a noite sem se poder despir. E não deixa de salientar, em tom cómico-satírico: ' a única coisa atestando que nos achávamos num sítio célebre, era a carestia de vida'.

(...) Em Lisboa, no dizer de Carrère, existiam apenas duas hospedarias acolhedoras, a Piemontesa e a da Calçada da Estrela, onde os alojamentos eram mais ou menos decentes. Duma maneira geral os aposentos que um forasteiro podia então alugar na cidade eram tão maus como os que se encontravam a caminho da capital. Era necessário mobilá-los para os poder habitar, ou então decidir-se
' a sofrer tudo quanto a porcaria tem de insuportável'. Os quartos e as camas existentes eram péssimos e a comida tão mal cozinhada 'que faz mister o apetite de um botânico para a poder tragar'.
Na realidade, tudo quanto fosse comunicação e rede de transportes, higiene pública ou privada, parece ter sido alvo de críticas e até estranheza por parte destes homens [estrangeiros]. Seria Lisboa tão diferente das grandes cidades europeias? [...]"

in 'Lisboa setecencista vista por estrangeiros' ISBN 972-24-0991-3

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publicado por LMB às 23:48 | link do post | comentar | favorito


Quantas vezes se ouve falar sobre Bombaim? Raras.
Particularmente, tinha de ser justamente nesta altura em que, durante um negócio em curso, a minha cadeia de contactos local tinha de se tornar refém no Taj neste imbecil ataque desta semana aos dois hoteis de luxo. Espera-se, naturalmente, que tudo termine rápido e sem mais vítimas apanhadas em turbilhão alheio. Mas se a minha pontaria fosse igual à da Al Qaeda e simpatizantes, eu já seria um tipo rico.

Créditos: imagem AP



publicado por LMB às 22:38 | link do post | comentar | favorito


No livro "Lamentações da miséria do Povo Lapão" (Deploratio Lappieanae Gentis), editado em 1540, Damião de Góis descreve assim pormenores sobre a Lapónia, aparentemente na sequência da sua viagem à Suécia no princípio do Século XVI:

(...) em vez de cavalos usam uma espécie de animal que na sua língua chamam de rena. Esta espécie de asno em tamanho e cor, possui chifres parecidos com os dos veados. Os chifres que são cobertos com uma espécie de penugem, são menores e com menos ramificações dos que os dos veados. As renas são tão rápidas que em 12 horas podem arrastar um trenó numa distância de 30 milhas alemãs. Elas vão adiante, devagar ou rapidamente, provocando um estalo, vindo da articulação das pernas, parecido com aquele quando se quebram nozes. (...)
(...) os lapões são nómadas, vivem em tendas pois não têm nenhuma utilidade para casas (...) (...) eles não possuem outro meio de sustento para além da caça, aves e pesca (...) (...) o casamento é sagrado e são extremamente ciumentos (...) (...) os habitantes da região são fortes mas baixos e usam o arco e flecha com extrema habilidade (...)

Créditos: texto original retirado de embassyportugal.se


publicado por LMB às 20:51 | link do post | comentar | favorito

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Será que estás a ficar nervosa ó Apple?

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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Creditos: imagem Diana Walker-The Bigger Picture

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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

iPod-Lego-speaker. Tipo oito moedas de dois Euros. Aqui.

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Santa Coloma de Gramenet é uma localidade aqui da vizinha Espanha (sim, que outra vizinhança temos nós?) que dificilmente seria notícia em canais noticiosos internacionais, ou até mesmo neste caderno diário, não fosse uma uma ideia de morte: colocar 462 paineis solares no topo dos gavetões do cemitério local. A terra livre na zona, aparentemente é escassa, por isso, nada melhor que aproveitar uma estrutura com óptima exposição solar. Por 720K € aí estão eles montados e a produzir energia viva.
Não há paradoxo. Como dizia o nosso Marquês: há que enterrar os mortos e cuidar dos vivos. Conste-Live Energy, a empresa de renováveis, foi o que pensou, com a particularidade que uma parte já estava feita (enterrados) e a preocupação é só mesmo com os vivos.

Créditos: imagem AP


publicado por LMB às 13:25 | link do post | comentar | favorito

Domingo, 23 de Novembro de 2008
Colombo: há o original, enquanto expressão, e o outro, enquanto construção. Outros haverá, mas não são para aqui chamados.
Colombo (o Cristóvão) basicamente pretendia demonstrar pelo ovo levemente estalado na base, algures no meio de um jantar cinco séculos atrás, que as ideias aparentemente simples e óbvias precisam primariamente de alguém para as pensar e colocar em prática, para depois se tornarem realmente óbvias do tipo 'isso até eu fazia'.
Claro que se pelo meio existir impedimentos, naturais ou fabricados, a ideia não vinga.
Vem isto a propósito de há um par de horas ter aberto uma folhita Excel com uma projecção a dez anos de uma 'megastore' de informática, em cenários conservador e optimista. A folha data de 1998; a projecção feita na altura termina 'para o mês que vem', i.e. em Dezembro de 2008. Tem piada isto. Feita meia dúzia de meses depois da pomposa inauguração do Centro Comercial Colombo, a análise versava precisamente esse novo local ali a Benfica.

Por acaso -somente por acaso- esse projecto incluia uma generosa área Apple, distante ainda do futuro conceito que esse fabricante iria ditar mais tarde; seja como for, a bem dizer, eu teria gostado que ele fosse genuinamente Apple, mas obviamente seria insustentável e mesmo que se juntasse todos os produtos correlacionados, talvez a mais recheada prateleira pertencesse à Claris e o restante fosse assim 'a modos' que vazio. Depois, a montante, com a constante indisponibilidade de hardware por parte do fabricante -e para o qual a incompetência de um gaulês estranhamente agarrado a este país, muito contribuiu durante anos- para um mercado tido como periférico, não facilitariam nunca uma 'super-loja-da-marca' sem produtos ou, então, obsoletos.
Com este projecto, acabou por ganhar relevo -e implementação- uma outra insígnia que não a forma de uma maçã.
Poucos anos depois, o mesmo local, voltou a ser alvo de atenção numa hipotética réplica nacional das, agora sim, primeiras lojas norte americanas da marca. Mas para quem vinha de uma 'mercearia' e lhes tinha sido dado um 'supermercado', outras -digamos- prioridades se levantavam. Oportunidade desperdiçada, portanto.
Como tudo na vida é feito de ciclos, não me surpreenderá, por isso, que um novo ciclo idêntico ao original de há uma década, volte, quem sabe, a animar imaginário. Até porque, dos tais 4 'pês' do Marketing (mix not shaken), o 'Place' é dos mais importantes e isto até um merceeiro sabe.

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publicado por LMB às 23:55 | link do post | comentar | favorito

Sábado, 22 de Novembro de 2008

Tudo aponta que será esta a viatura 'verde' que o portuga poderá adquirir dentro de dois anos: Nissan Denki Cube.
Estilo algo retro quanto a mim e nada apetecível face a outros protótipos já apresentados em salões internacionais. Sugeria que o entregassem para restyling a Pininfarina.


publicado por LMB às 17:14 | link do post | comentar | favorito


LISBOA PÓS TERRAMOTO

"[...] no entanto, em 1765, o centro da cidade estava ainda pejado de escombros, embora muitas casas estivessem já construídas e outras em via de reconstrução. Casas desmoronadas, algumas sem telhado e sótão, o palácio real em ruínas.
O rei, a rainha, D.Pedro, irnão do rei, as suas três filhas e o moço príncipe da Beira viviam numa longa fila de aposentos de madeira em Belém (...) enquanto isso, as moradias próximas de Mafra eram votadas ao mais completo abandono. Gorani define a cidade como como uma amálgama espantosa de palácios destruídos, de igrejas queimadas, de escombros semelhantes ao de uma fortificação que se fez explodir (...) Imediatamente depois da subida ao trono da rainha D.Maria I, pararam as obras nos edifícios públicos, de forma que uma parte da grande praça, onde está uma estátua equestre do rei, ficou por acabar. (...) As alturas, dentro ou fora da cidade, são todas inteiramente ocupadas por capelas, igrejas, conventos imensos que, com as suas hortas, vinhas e pomares, cobrem um quinto ou pelo menos um sexto da cidade. [...]
"

in 'Lisboa setecencista vista por estrangeiros' ISBN 972-24-0991-3

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publicado por LMB às 10:16 | link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Se não houver mais nada para fazer e o interesse do dia for, por exemplo, seguir a evolução de uma determinada companhia, como também e por mero exemplo a Apple, então este mapa aqui do New York Times é a melhor coisinha interactiva.
Funciona assim: a) escolher o sector no menu do canto superior esquerdo b) escolher a empresa na janela direita c) escolher o período lá em cima com o indicador ao dia, à semana, ao mês, ao trimestre, ao ano.
Se não houver acções para controlar, a opção pode ser mesmo ler o jornal.

Créditos: imagem NYT

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publicado por LMB às 01:18 | link do post | comentar | favorito


I long ago stopped actively seeking out Mac vs PC discussions (partly because Macs are now PCs -- so the argument is more about Mac OS X vs Windows vs Linux than a proprietary Mac architecture vs an x86 PC architecture), but I still find it confounding that after all these years, people still don't know the basics of the upsides of Macs and OS X. Perhaps it's because of... [a ler aqui]

Créditos: imagem APCmag.com


publicado por LMB às 01:02 | link do post | comentar | favorito

Jaffe Associates via money.cnn.com

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publicado por LMB às 00:37 | link do post | comentar | favorito

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